segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Truffaut Octagenário, 1932-1984

Confessamos a desatenção. É graças ao Google, que hoje (e com muita justiça) celebra a efeméride, que verificamos que, se vivo fosse, François Truffaut celebraria hoje 80 primaveras.

Infelizmente, como é sabido, um tumor cerebral tirou-lhe a vida vai para 28 anos, interrompendo uma carreira com muito ainda para dar ao cinema francês e mundial.

Fundador do movimento Nouvelle Vague com Jean-Luc Goddard, Eric Rohmer, Alain Resnais, Jacques Rivette e Claude Chabrol; é com estes "pré-realizadores" e críticos da Cahiers du Cinéma que rompe em definitivo com o decadente cinema francês do Pós-Guerra, preso ao que restava do Realismo Poético.

Esta nova geração, está apostada em transgredir intransigentemente as barreiras canónicas narrativas, ao mesmo tempo que procura restaurar o cinema de autor. Procede-se a uma recriação da construção de diálogos os quais, tal como a montagem e a radical saída dos estúdios para rodar em exteriores, focam as impressões mais banais e quotidianas em torno das personagens, atingindo bastas vezes o cliché, satirizando ou parodiando a própria linguagem cinematográfica. Mas, e sobretudo, trata-se de um cinema que se constrói em torno da psicologia do sujeito, das suas paixões e desejos, um cinema impregnado de erotismo pungente que confronta o espectador com toda uma série de novas questões.

Todavia, e tal como outros, Truffaut distancia-se desta linha. Aproxima-se de um modelo mais classicista, o que o torna, porventura, no mais popular e admirado da sua geração. Assim, depois de Les 400 Coups, Tirez Sur le Pianiste e Jules et Jim, entre 1959 e 1962, filmes absolutamente "nouvellevaguianos"; roda Farenheit 451, obra futurista de Ray Bradburry. Com este filme e a sua notoriedade nos prémios BAFTA e no Festival de Veneza em 1966, François Truffaut internacionaliza-se definitivamente.

Em 1973 o filme La Nuit Américaine vence o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, obra cinematográfica sobre o cinema, o filme dentro do filme, transportando o espectador para o lado de dentro, arrastando-o para o lugar de realizador, de actor e sobretudo de actriz, pois Truffaut sempre dispensou à mulher um lugar destacado de observação enquanto cineasta.

Em 1977 interpreta o investigador Lacombe em Close Encounters of the Third Kind de Steven Spielberg. Este, rendendo-lhe homenagem, confessa, como Quentin Tarantino, Brian DePalma ou Martin Scorsese, a sua influência nos seus percursos.

LG


Filmografia:
1955 - Une Visite (curta-metragem)
1957 - Les Mistons (curta-metragem)
1958 - Une Histoire d'Eau (curta-metragem co-realizada com Jean-Luc Goddard)
1959 - Les 400 Coups
1960 - Tirez Sur le Pianiste
1960 - Tire-au-Flanc (co-realizado com Claude de Givray)
1962 - Jules et Jim
1962 - L'Amour à 20 Ans (sketch "Antoine et Colette")
1964 - La Peau Douce
1966 - Farenheit 451
1968 - La Mariée Était en Noir
1968 - Baisers Volés
1969 - La Sirène du Mississipi
1970 - L'Enfant Sauvage
1970 - Domicile Conjugal
1971 - Les Deux Anglaises et le Continent
1972 - Une Belle Fille Comme Moi
1973 - la Nuit Américaine
1975 - L'Histoire d'Adèle H.
1976 - L'Argent de Poche
1977 - L'Homme Qui Amait les Femmes
1978 - La Chambre Verte
1979 - L'Amour en Fuite
1980 - Le Dernier Métro
1981 - La Femme d'à Coté
1983 - Vivement Dimanche!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Theo Angelopoulos, 1935-2012

Diz O Público que Angelopoulos "era o rosto do cinema grego, o vulto maior de uma cinematografia que permanece, para o resto da Europa, largamente desconhecida."

Ao contrário de vários outros, com Constantin Costa-Gavras à cabeça, que pertencem a um grupo de cineastas gregos em permanente "emigração nómada", como Polanski o é em relação à Polónia; Angelopoulos filmava a Grécia real, a Grécia contemporânea, ainda que por vezes a confrontasse com as suas incontornáveis raízes Clássicas.

Vencedor do Leão de Ouro em Veneza 1980 e da Palma de Ouro em Cannes 1998, Theo Angelopoulos filmava a questão do ser grego, em pequenas epopeias e odisseias que se desenrolam "dentro de um circuito frequentemente fechado", nas quais as personagens não cumprem objectivos, não chegam a lugar nenhum, utilizando com rara mestria o plano-sequência.

Continuando a parafrasear Luís Miguel Oliveira, "um dos últimos grandes estetas do plano-sequência, do plano longo e coreografado, "gramática" a que talvez não seja estranha a influência de cineastas do leste europeu". Assim sendo, em Angelopoulos pode ver-se um cinema mais oriental que ocidental, "como que exprimindo as fronteiras geográficas e culturais da Grécia".

Morreu há dois dias, perto de Atenas, vítima de atropelamento. Estava a rodar O Outro Mar...

LG


Filmografia para Cinema:

Peripeteies Me Tous Forminx, 1965

Ekpombi, 1968

Anaparastasi, 1970

Meres Tou '36, 1972

O Thiasos, 1975

Oi Kynigoi, 1977

O Megalexandros, 1980

Taxidi Sta Kythira, 1984

O Melissokomos, 1986

Topio Stin Omichli, 1988

To Meteoro Vima Tou Pelargou (O Passo Suspenso da Cegonha), 1991

To Vlema Tou Odyssea (O Olhar de Ulisses), 1995

Lumière et Compagnie, 1995

Mia Aioniotita Kai Mia Mera (A Eternidade e Um Dia), 1998

Trilogia: To Livadi Pou Dakryzei, 2004

Chacun Son Cinéma, segmento "Ce Petit Coup au Coeur Quand la Lumière s'Éteint et que le Film Commence", 2007

Mundo Invisível, segmento "Céu Inferior", 2011

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Habemus Papam

O Cineclube inaugura o ano de cinema com a exibição de Habemus Papam de Nanni Moretti. Com o novo ano e o estigma da renovação que sempre lhe está associado, veremos no Cine-Teatro António Pinheiro um Moretti que parte de uma sempre mediática renovação, a qual se traduz pela subida de um cardeal à cadeira de S. Pedro.

De um lado temos, então, um Papa que desejava não ser eleito, e que passa por uma crise existencial, recusando aparecer em público, enquanto milhares de fiéis aguardam ansiosamente que o novo Sumo Pontífice lhes acene da famosa janela do Vaticano.

Perante esta crise existencial, é convocado um psicólogo ateu (Moretti), o qual questiona a própria Fé do Papa (Michel Piccoli). O jogo que se desenrola, diálogo intenso entre o sagrado e o profano, divino e humano, drama e comédia (aqui as subtilezas de Moretti entram em evidência), tem lugar no tabuleiro da actual sociedade que, incrédula ou não, toma conhecimento de uma crise no seio da própria Igreja Católica, com uma sucessão de casos de alegada corrupção e pedofilia.

Tais factos vão deixando cair o manto divinal para deixar transparecer os interesses políticos e mundanos que sempre estiveram associados aos sucessores de São Pedro e seus colaboradores. Este é, em última análise, o interesse e o alvo do realizador. A sua filmografia é politizada, crítica, mas também intemporal. A sua riqueza é a forma como constrói esta temática com ferramentas como a leveza, o humor, a modéstia, a imaginação.

Este filme, indiscutivelmente para ver e reflectir, é irresistivelmente comparável a um clássico: The Shoes of the Fisherman, realizado em 1968 por Michael Anderson. Nesta obra, o cardeal ucraniano Kiril Lakota (Anthony Quinn) é eleito Papa, pouco tempo depois de libertado pelo governo soviético da sua condição de prisioneiro político na Sibéria. A conjuntura política é a Guerra Fria, para além de uma crise sino-soviética que ameaça explodir a qualquer momento o poder nuclear das duas potências.

O Papa Kiril I tem uma mensagem de Paz que promete pontuar o seu pontificado, enquanto ajuda o padre Telemond (Oskar Werner) a lutar contra a sua crise de Fé, sacerdote este que tem a solução para a crise entre os dois estados comunistas. Kiril I é um pacifista, é contra a ostentação por parte da Igreja, e mais humano do que o Clero imaginaria ou desejaria, ameaçando o papel secular da Igreja Católica no xadrez mundial.

Neste filme, tal como em Moretti, explora-se a humanização de alguém que se coloca, desejavelmente, próximo do divino. Várias foram as civilizações que o fizeram, divinizando imperadores, equiparando faraós a deuses. Todas elas se destruiram a partir de dentro...

Filme a descobrir ou redescobrir, o desafio é ver The Shoes of the Fisherman depois de Habemus Papam, pondo os dois em paralelo e em matéria de reflexão. 5ª feira, dia 5 de Janeiro, no nosso estimado Cine-Teatro António Pinheiro.

LG



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

À Volta dos Livros

Bom Ano!

O blog formula os seus votos de bom 2012, ano que, paradoxalmente, se adivinha difícil. E a propósito, poderá ser paradoxal que um canal de comunicação, electrónico, ainda por cima motivado pelo Cinema, se ocupe de um assunto como o Livro. Livro. Esse objecto quase esquecido como fonte de informação, cultura, imaginação, criatividade, saber acumulado, fonte primordial (não é discutível), ultrapassado por poderosas fontes de informação, ora porque as imagens são de um poder de invasão avassalador para a mente humana, ora porque a informação - e as imagens - estão à distância de um "clic".

O Secretário de Estado da Cultura afirmou, em Outubro, que reforçaria "a política do livro com um aumento da dotação orçamental da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas", o qual seria "seguramente superior a 100 por cento". Este reforço, para "pagamento de dívidas", asseguraria a "tradução de obras de autores portugueses no estrangeiro".

E a questão é precisamente esta. O Estado intervém na liquidação das dívidas das bibliotecas e investe na projecção de autores nacionais no estrangeiro. A acompanhar o estímulo à leitura do livro - tão querido a Francisco José Viegas - estão que medidas? A manutenção do IVA a 6% para o sector, não aquece nem arrefece. A iniciativa será então, para quem quiser e puder, do sector privado.

E aqui se enquadra a iniciativa, de louvar, de um recanto como a Lura dos Livros, que em Tavira estimula a leitura e a procura da mesma, ainda que para um público tendencialmente estrangeiro. Tem uma oferta mínima de leitura em português, mas no que respeita à oferta de Literatura Portuguesa, o número cresce notoriamente.

Uma proposta de Inverno, que o frio convida a que se procure um ambiente acolhedor. E tudo isto faz mais sentido, se tomarmos consciência de que em Tavira não há, neste momento, outra livraria. Na Lura (a propósito, este é um vocábulo esquecido, como os livros, que significa toca, refúgio), à volta dos livros, devemos reflectir um pouco sobre estas questões...

LG

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Assim e Assado

Diz o slogan, a propósito de Santa Luzia ser a capital do simpático cefalópode: "O polvo é bom. Assim e assado".

O blog apresenta, muito a propósito, o documentário Na Teia do Polvo, rodado durante este ano em Santa Luzia. Neste trabalho se dá a conhecer a evolução da pesca do polvo, as agruras e alegrias dos pescadores, o seu modo de vida e a sua difícil situação, graças às políticas de pesca que, discutidas tão longe, se vão praticando entre nós. Dito isto, parece este mais um documentário que aborda pela enésima vez os mesmos temas e variações e da mesma forma. Puro engano.

Em primeiro lugar, porque o realizador e argumentista avançou sozinho para este e outros trabalhos, sem saber se chega a receber apoios que lhe foram destinados. Esta é "simplesmente" uma aventura em que José Meireles, na companhia da sua reduzida equipa - Pedro Davim e Alexandre Lau - parte à procura das pessoas e dos segredos de Santa Luzia, auscultando atentamente o que elas e eles têm para contar.

Em segundo lugar, porque a forma de trabalhar de José Meireles está próxima, na nossa opinião, do trabalho de António Campos. O realizador leiriense, em Falamos de Rio de Onor, 1974, anuncia no genérico que o filme é "realizado a expensas do autor". Mas para além do lado financeiro, é como Campos que José Meireles "desce" do seu ponto de observação filtrada pela câmara, para se colocar ao nível do olhar, do sentimento, do sofrimento, do suor, das lágrimas do pescador, esse indivíduo tão caro a António Campos. É ombro a ombro com o pescador que assiste à preparação das armadilhas e à captura do polvo. É por entre a comunidade piscatória que se move, é no seio da família que observa as vozes, os calos, as rugas e a vida do pescador. E estes são os aspectos, mais do que as técnicas que trazem o polvo até ao prato, que tecem a verdadeira teia que o título anuncia.

O blog está em condições de anunciar que este documentário, rico em conteúdo que é parte da herança cultural do Concelho de Tavira, será projectado no Cine-Teatro António Pinheiro no próximo dia 17 de Dezembro. Muito provavelmente, o realizador José Meireles fará a apresentação, com a sua imagem de conhecido actor, mas com a modéstia e o low-profile dos bons observadores das coisas da vida.

LG












Filmografia - Actor de Cinema:

Malvadez, Luis Alvarães, 1990

Coitado do Jorge, Jorge Silva Melo, 1993

O Miradouro da Lua, Jorge António, 1993

Três Irmãos, Teresa Villaverde, 1994

Zéfiro, José Álvaro Morais, 1994

Do Outro Lado do Tejo, Piconé, 1995

Tentação, Joaquim Leitão, 1997

Camarate, Luís Filipe Rocha, 2000

Combat d'Amour en Songe, Raoul Ruiz, 2000

Peixe Lua, José Álvaro Morais, 2000

Xavier, Manuel Mozos, 2001


Filmografia - Realizador:

Uma Casa na História, 2009

Afurada - Cerco com Tucas, 2010, documentário

Na Teia do Polvo, 2011, documentário

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

D'Aprés Hergé!

Era inevitável. Mais cedo ou mais tarde, na senda desse filão de argumentos chamado Banda Desenhada, Tintim tinha que chegar à tela, ainda que este projecto tenha estado em maturação durante quase vinte anos, e ainda que haja anteriores adaptações.

Steven Spielberg e Peter Jackson, cineastas que dispensam apresentações, tecnicamente exigentes e irrepreensíveis, assinam uma obra cinematográfica muito especial. A tecnologia motion-capture, de que vimos Gollum da saga Lord of the Rings e King Kong, permite hoje a animação digital das personagens do mundo do jovem jornalista belga.
E a verdade é esta: a riqueza do filme - para o blog um maravilhoso filme de aventuras - está no compromisso entre os traços bidimensionais da BD e a tridimensionalidade que o digital permite, humanizando as figuras sem escapar ao tão falado "espírito da série". Este espírito, claro está, faz de Tintim um fenómeno intemporal de aventuras para consumir "dos 7 aos 77 anos".

O livro O Segredo do Licorne é uma história que se completa com O Tesouro de Rackham o Terrível, habilmente condensadas e adaptadas à Sétima Arte, com muitos elementos de um outro livro, anterior, que tem por título O Caranguejo das Tenazes de Ouro, além de muitas piscadelas de olho a várias outras aventuras. Tintim, Milú, Dupont e Dupond, Castafiore e o incontornável Haddock do também incontornável Andy Serkis, habituée nestas coisas do motion-capture. Todos humanizados, tridimensionais e fiéis às caracterizações livrescas, física e psicologicamente.

The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn arrisca-se a ser um caso muito sério de popularidade, que promete não se esgotar antes de vários livros adaptados ao cinema por Peter Jackson, segundo o que está estipulado.

Mas muito mais do que isso, o espírito Tintim sempre transportou consigo - e agora para as grandes massas consumidoras - o espírito de um herói terra-a-terra, sem poderes nem poções, com uma profissão, e que resolve problemas e vence criminosos com as mais poderosas armas do mundo: a inteligência e o bom senso.

Assim sendo, não sejamos detractores deste filme só porque se trata de cinema norte-americano, de efeitos especiais e de Steven Spielberg, pois este é um filme para todo o mundo. Para todos os povos. Para toda a humanidade.

Resta agradecer ao internacional triunvirato (uma palavra portuguesa para troika, imagine-se) composto pelo americano Spielberg, pelo neo-zelandês Jackson e pelo belga Georges Remy, aliás Hergé.

LG

Outras adaptações:


1961 - Tintin et la Mystère de la Toison d'Or


1964 - Tintin et les Oranges Bleues


1969 - Tintin et le Temple du Soleil (animação)


1972 - Tintin et le Lac aux Requins (animação)


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Do Caos ao Sucesso

Se é verdade que os maiores êxitos têm como ponto de partida as situações mais desfavoráveis, a 12ª Mostra de Cinema Europeu de Tavira é uma prova cabal desse facto.

Esta Mostra - que nasceu sob a dúvida de não se realizar por falta de apoios (vejam o video em baixo) - arrancou com a excelente atmosfera que caracterizam os eventos de Verão do Cineclube.
6ª feira, dia 15. O filme - Le Concert - vencia a provação de filme de abertura, e o intervalo tivera já lugar, quando a maior das provações para um certame deste tipo ocorreu. Foi com a exibição suspensa que se consumou a avaria do projector que nos acompanha, o qual não mais permitiu qualquer som ou imagem.

E neste ponto, é mais do que justo referir a iniciatiiva do sócio Henrique Veludo que, com a sua serenidade permitiu que - pelo menos - alguma esperança houvesse perante a avaria. O Henrique e o André são responsáveis pelo sucesso desta Mostra. A serenidade do Henrique e a agitação do André, contraponto um do outro, testaram e voltaram a testar. Mas não foi possível Mostrar.

Sábado, dia 16. Os dois partiram rumo a Vila Nova de Milfontes, na costa alentejana, região de veraneio. Levava-os até lá não as praias ou o sol, mas a prestabilidade e o amor à profissão de António Feliciano, famoso projeccionista ambulante do nosso país. O seu projector - igual ao do Cineclube - salvaria a honra do convento, convento que, como se sabe, é local de exibição das nossas Mostras.

Trocadilhos à parte, as trocas resumiram-se aos cabos que, no meio da pressa, ficaram em Milfontes. E o projector do amigo Feliciano não se compatibilizou com os cabos do projector do Cineclube. A conclusão foi a suspensão da exibição de The Ghost Writer...

"Amanhã haverá sessão, nem que eu tenha de ir à lua!", exclamava o André a um casal dinamarquês que, apesar da sua desilusão, confortava o André, enquanto o Henrique rumava a Lisboa com o projector do Cineclube para reparação.

Nestas duas noites, contaram-se cerca de dez entradas devolvidas, enquanto se anunciava a exibição dos dois filmes para além do dia final da Mostra, isto é, para 3ª e 4ª feira dias 26 e 27 de Julho. E este é o primeiro grande sucesso nascido do caos em que se transformou o arranque da Mostra.

Domingo, dia 17. O André partiu, não para a lua, mas para Vila Nova de Milfontes - outra vez! - na demanda dos cabos do projector que esquecidos repousavam no Cinema Girassol do António Feliciano. À hora da exibição do filme L'Illusioniste - mas só à hora - o projector estava operacional. Um êxito nascera que daí para cá ronda os 120-140 espectadores por noite. E nisto, meus amigos, consiste o segundo grande sucesso da Mostra.

Quantos eventos têm este tipo de afluência depois de dois espectáculos cancelados? É a pergunta que se pode deixar no ar. As noites em Tavira andam ventosas mas o público não arreda pé. Há toda um equipa que zela pela logística e bom ambiente da Mostra. Mas os louvores vão - têm que ir - para o André Viane, o Henrique Veludo e o António Feliciano.

Hoje, o sucesso continua com a exibição de Nothing Personal.

Fica a imagem - ainda que má - e o som da abertura.

Bom cinema!

LG