quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

And the Oscar Goes to...

Para os que gostam das estatuetas douradas de Hollywood, a hora é de expectativa. A noite (em Portugal) de Domingo dia 22 de Fevereiro vai ser longa, e quem for suficientemente doido como eu para acompanhar, saberá tudo em directo.
O grande sucesso de David Fincher, The Curious Case of Benjamin Button, é o grande favorito à vitória final, acumulando um total de 13 nomeações. Mas nem por isso é garantido que seja o grande vencedor.
Numa altura em que a tradição já não é o que era, isto é, "as gloriosas" produções das majors já pouco dominam a tendência dos votantes, o grande rival é Slumdog Millionaire, de Danny Boyle. Sou dos que aposta neste fenómeno como grande filme do ano; e para quem viu outras obras do realizador como Transpotting ou 28 Days Later, imagina porquê. O filme de David Fincher tem ainda um outro rival, aparentemente de menor escala mas, não vai deixar de dar cartas: Frost/Nixon, de Ron Howard, vai vencer pelo menos o óscar de melhor actor (Frank Langella), a menos que a Academia aumente o grupo de actores bi-premiados, dando uma recompensa pela coragem de Sean Penn.
Quanto às actrizes a dúvida é grande. Será que a outra Dúvida, a do filme de John Patrick Shanley, consegue dar o segundo óscar de melhor actriz a Meryl Streep ao fim de um impressionante número de 15 nomeações, ou vamos finalmente ver Kate Winslet a subir ao palco do Kodak Theatre para agradecer o prémio pelo seu trabalho em The Reader?
E depois há os outros todos, porque nem só dos cabeças de cartaz vivem os Óscares. Wall-E vencerá sem grandes problemas o prémio para o melhor filme de animação e haverá um prémio para o melhor filme estrangeiro estreado nos Estados Unidos. Estou tentado a apostar que quem vai ficar contente são os responsáveis pela produção de A Turma ou de Valsa com Bashir.
Muitos outros prémios serão distribuídos, incluindo o ponto alto da cerimónia: Para agradecer o Óscar Honorário do ano subirá ao palco Jerry Lewis.
As apostas deste vosso amigo:

Filme: Slumdog Millionaire ou The Curious Case of Benjamin Button
Realização: Slumdog Millionaire ou The Curious Case of Benjamin Button
Actor: Frost Nixon (Frank Langella)
Actriz: Kate Winslet (The Reader)
Actor Secundário: Philip Seymour Hoffman (Doubt)
Actriz Secundária: Taraji P. Henson (The Curious Case of Benjamin Button)
LG

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vieira, como Tarantino

As influências de obra para obra, podem por vezes originar mais do que um sucedâneo. Outras, mais não são que um exercício de cinema. Para tirar dúvidas, nada como vêr Arte. A nossa - a 7ª - e a nossa - a portuguesa -, com um abraço de co-produção ao país-irmão, dá de rompante novo filme de Leonel Vieira que, recordemos, andou há uns anos pela floresta amazónica para rodar A Selva, adaptado de Ferreira de Castro.
A influência é claramente - a imprensa é unânime - Quentin Tarantino. Dois bandidos de bairro que vivem de biscates ilícitos vão ter por missão o roubo de uma tela de, imagine-se, Van Gogh, cujo acto tem uma inesperada coincidência. Se formos audaciosos, etiquetamos este filme como road-movie, com vários ingredientes que caracterizam o género... Bom, à escala do cinema português. Mas a coragem e o esforço de Leonel Vieira são meritórios, pois encaixar o universo de Tarantino no espaço físico português não parece fácil.
Ao lado de Ivo Canelas - sem dúvida um actor em ascensão - está Enrique Arce, ambos de cinto "westerniano" e óculos escuros, aos tiros pelo Alentejo. Flora Martinez e a inevitável Soraia Chaves marcam a presença do sexo frágil (ou nem por isso, como em Tarantino). Confesso que a minha principal curiosidade está no desempenho de Nicolau Breyner que compõe um sinistro mordomo.
Uma palavra para a música. O madeirense Nuno Malo tem mão firme neste trabalho. Depois da banda sonora de Amália - O Filme, entrega-se á herança de Pulp Fiction e às suas notas de música surf, apimentada com um cheirinho a Ennio Morricone (mas só um cheirinho...) dos western spaghetti, cozinhando uma partitura surpreendente.
Esta semana, no seu Cine-Clube!
LG

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Kino, Lisboa, 2009

Em 2004, o Goethe Institut de Lisboa organizou a primeira das Mostras de Cinema de Expressão Alemã. Este ano, rebaptizado KINO, o Insituto renova a organização e a imagem da mostra, procurando alargar os seus horizontes. Com uma programação feita a pensar em cinéfilos seguidores das tendências do cinema alemão da actualidade, mas também a pensar no público em geral, acontece de 21 a 29 de Janeiro, no Cinema São Jorge em Lisboa.
De Im Winter ein Jahr (Um Ano no Inverno) de Caroline Link à panorâmica de cinema documental anunciada, oportunidade para conhecer um pouco do que se faz na Alemanha, antes do Festival Internacional de Berlim que se avizinha.
Quanto a nós, pobres cinéfilos longínquos, resta-nos esperar que seja possível exibir qualquer coisinha no nosso estimado António Pinheiro. O sociólogo Alexandre Melo escreveu um parágrafo em que consigo identificar o André: O lugar da política cultural no quadro do processo de globalização cultural, sobretudo numa situação não central, é um lugar de acção e um lugar de intervenção voluntarista, contemporânea e cosmopolita.(1) Mas em termos práticos, a disponibilidade de materiais (leia-se cópias, neste caso) para as coisas acontecerem, é por vezes muito difícil...
Que achas André? Será possível?
(1) Melo, Alexandre, Globalização Cultural, Quimera, Lisboa, 2002
LG

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A Mulher no Cinema: Uma Homenagem

Se não fossem elas, todo o cinema era em vão...

LG

A Sombra do Caçador

Na saudosa sala recuperada pela Medeia Filmes há já mais de dez anos, o Ávila, tive oportunidade de ver alguns clássicos e obras-primas do cinema internacional, já que era a aposta de Paulo Branco para esse espaço. Foi muito bom enquanto durou. Afinal, não é todos os dias que se pode vêr, em Lisboa, obras de Sternberg, Lubitsch, Pasolini, Kubrick, Leone, para citar aqueles que me lembro de terem por lá passado.
Mas a esses nomes, é obrigatório acrescentar uma obra que muito recentemente revi. Um filme insólito, quase misterioso. Produzido em 1955, trata-se da única realização do gigante Charles Laughton, consagrado e multi-premiado actor inglês; actor em filmes como The Private Life of Henry VIII (1933), Mutiny on the Bounty (1935) e Spartacus (1960).
Laughton, querendo iniciar-se nas lides da realização, opta por um best-seller de Davis Grubb: The Night of the Hunter. Nunca esteve em causa a dedicação com que Laughton se entregou ao filme, mas o resultado foi uma catástrofe ao nível da crítica e de bilheteira. Felizmente - e não poderia ser de outra forma - esta obra-prima foi colocada pela História no lugar que lhe pertence por direito e mérito, como um dos grandes títulos dos anos '50.
A um anjo protector de crianças interpretado pela super-vedeta que veio do embrião do star-system americano, ainda os filmes não falavam - Lillian Gish, opõe-se em confronto um criminoso que procura o produto escondido de um roubo. Disfarçado de Pastor da Igreja e com as palavras LOVE e HATE tatuadas nos nós dos dedos, produz sermões sobre conflito entre o Bem e o Mal através de mímica que vai encantando todos quantos procura conquistar. Quase todos. Duas crianças são vítimas de uma perseguição-caça pelo falso pastor Robert Mitchum, representação diabólica do Ser Humano que, vivo o mal, nunca dorme - Does he never sleep? - pergunta o rapaz.
De fino recorte fotográfico de Stanley Cortez, de contínuo claro-escuro vincado, situa-se na fronteira entre o pesadelo e a fábula, entre o thriller e o film noir. Quanto a Robert Mitchum, é surpreendente e um dos grandes maus-da-fita do cinema americano - opinião minha.
A não perder na primeira oportunidade. Claro que está aqui uma sugestão e uma piscadela de olho ao André, só que ele provavelmente até já tentou programar o filme. Mas como tem que passar pela Atalanta Filmes...
Senhores editores, para quando o lançamento em Portugal em formato doméstico?!
Bom fim-de-semana e Bons Filmes!
LG

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

António Pinheiro

Todos conhecemos o nosso estimado Cine-Teatro António Pinheiro. Consta que vai desaparecer nos próximos tempos para dar lugar a um outro cine-teatro mais habilitado para fazer face às exigências culturais de uma cidade e região que se quer em permanente evolução cultural. Faço votos para que tal aconteça, e que a autarquia e o arquitecto Júlio Quaresma - um velho conhecido - saibam dar corpo e alguma alma a um projecto que me parece de suma importância para a cidade. E, já agora, que se saiba ouvir de quem sabe, as necessidades técnicas prementes e inerentes ao seu funcionamento.

Também faço votos que, à imagem do que aconteceu com a passagem entre o desaparecido Teatro Popular (e rebaptizado Cine-Teatro António Pinheiro) e o actual que todos conhecemos; se saiba preservar o nome de uma individualidade que todos conhecem da degradada fachada da sala de espectáculos de Tavira, mas que poucos sabem o que ele significa.

No último dia 21 de Dezembro, passaram os 141 anos do seu nascimento e, à semelhança do que aconteceu nos anteriores 140, nada se fez para assinalar a efeméride, ligada a, sem dúvida nenhuma, um dos maiores vultos das artes (se não o maior), de naturalidade tavirense. O blog presta aqui a sua singela homenagem que, pelo que atrás se diz, vem porventura a propósito.

António José Pinheiro (21/12/1867-2/3/1943), foi uma sumidade como poucas no panorama do Teatro Português. Foi actor, encenador, director de companhia e professor de "arte de representar". Fundou grémios e instituições de apoio ao artista. Pensou e escreveu sobre representação e sobre a problemática do Teatro do seu tempo. Deixou três livros de memórias.

O teatro era a sua actividade do coração, mas não é de desprezar a sua passagem pela 7ª Arte, onde chegou a fazer direcção de actores e depois realização.

Eis a sua filmografia:

1913 - Milagres de Nossa Senhora da Penha (no Brasil), de Alberto Botelho
1920 - Fidalgos da Casa Mourisca, de Georges Pallu
1921 - Amor de Perdição, de Georges Pallu
1922 - O Destino, de Georges Pallu
1922 - Mulheres da Beira ou Funesta Ambição, de Rino Lupo
1923 - O Primo Basílio, de Georges Pallu
1923 - Cláudia, de Georges Pallu
1924 - A Tormenta, de Georges Pallu
1924 - Tinoco em Bolandas, também realizador
1924 - Tragédia de Amor, também realizador
1925 - Lucros... Ilícitos, de Georges Pallu
1931 - A Portuguesa de Nápoles, de Henrique Costa
LG

Hey, teacher...

Votos de Bom Ano a todos!
2009 abre com belos filmes exibidos pelo nosso Cineclube. A produção franco-japonesa Exils apanhou o blog de surpresa e já lá vai, isto é, o blog confessa aqui a sua falta de atenção à programação do mês de Janeiro. Pelo menos a tempo e horas...
De volta às quintas-feiras, finda a quadra, o dia 8 traz-nos Entre les Murs, soberba produção francesa sobre o problema da multi-racialidade / etnicidade das escolas e problemas daí advindos. Entre os muros da escola se passa o "testemunho" de um ano lectivo da turma retratada. Baseado na obra homónima que parte da experiência de um professor, vem a ser ele próprio a representar-se a si mesmo no filme. Este, é tão a propósito que eu não resisto a recomendá-lo a todos os professores do Ensino Secundário em Portugal.
Como escreveu o André no site do Cineclube, Realismo é palavra que ilustra muito bem o que se passa entre os muros e paredes de um sala de aula. De tom documental, fica muito bem o trabalho de hand-held camera, mas eu prefiro distinguir a prestação de meia-dúzia de jovens actores nos papéis de outros tantos alunos. A Palma de ouro era pura e simplesmente "obrigatória"... A não perder, dia 8 de Janeiro, no Vosso Cineclube!!
LG