segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Crise e a Cultura I: o Manifesto

A Plataforma Geral da Cultura elaborou um manifesto contra o Governo do Estado, o qual ameaça aplicar severos cortes a um sector eternamente castigado com magras somas de apoio estatal. Reunida a 5 de Julho no Teatro Maria Matos, concebeu o texto que tem com primeiros destinatários o Primeiro-Ministro, a Ministra da Cultura e o Ministro das Finanças. A primeira forma de luta é uma petição pública, a qual devemos TODOS subscrever, e que está disponível em http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=DL72A.
Por mais fantoches que sejamos, ainda temos a liberdade de gritar: Acção!!
Transcrevemos o Manifesto, cuja leitura recomendamos.
LG
Para:Primeiro-Ministro; Ministra da Cultura; Ministro das Finanças

O sector da Cultura – as actividades culturais e a criação artística em geral – tem vindo a sofrer ao longo dos últimos dez anos, um sistemático desinvestimento por parte do Estado Português. A situação atingiu uma tal degradação, que o próprio Primeiro-Ministro o reconheceu na última campanha eleitoral, comprometendo-se a que na actual legislatura o sector da Cultura seria prioritário e veria o investimento do Estado consideravelmente aumentado: é isso que diz o Programa do Governo. E no entanto, desde o passado dia 18 de Junho, com a publicação do Decreto-Lei nº 72-A/2010 e as medidas que aí são impostas ao Ministério da Cultura - uma cativação geral de 20% e a retenção de 10% nos contratos celebrados e a celebrar - a situação abeira-se da catástrofe. Por isso queremos hoje e aqui reafirmar: 1. Estamos conscientes da crise que o país atravessa, mas há dez anos que o sector da Cultura vive com sucessivos cortes orçamentais, com verbas cada vez mais reduzidas: para a Cultura, a austeridade não está a começar agora, começou há já muitos anos. 2. Os profissionais das actividades culturais e artísticas há muito que fazem sacrifícios para manter a sua actividade e a sua profissão: trabalham com orçamentos cada vez mais escassos, trabalham com contrapartidas cada vez mais reduzidas. 3. Ao contrário do que diz a Senhora Ministra da Cultura, são os próprios profissionais e criadores, que vivem nesta situação, que em larga medida financiam eles próprios a actividade cultural em Portugal. 4. A criação cultural contemporânea portuguesa é uma das actividades que mais projecção internacional tem dado ao país. E internamente, como foi reconhecido num estudo independente, as indústrias culturais têm um peso cada vez mais significativo na economia portuguesa. 5. Os cortes que o Governo agora pretende fazer terão consequências dramáticas para os projectos actualmente em curso, com a sua paralisação e consequente fecho de empresas, estruturas, desemprego entre os trabalhadores sem protecção social, desencorajamento entre os criadores. 6. A falta de comunicação e de informação clara por parte do Ministério da Cultura e das suas Direcções-Gerais sobre a situação agora criada gerou um clima de inquietação e insegurança absolutamente inaceitável. Por isso não podemos hoje deixar de exigir: 1. A revogação imediata do artigo 49º do Decreto-Lei nº 72-A/2010, e da cativação de 20% das verbas do Ministério da Cultura, para a qual é suficiente a vontade política do Primeiro-Ministro. 2. Com a consequente revogação da redução em 10% sobre os contratos em curso ou a realizar durante o corrente ano, bem como do orçamento de Direcções-Gerais e Institutos do Ministério da Cultura directamente relacionados com os apoios à criação. 3. Mas exigimos sobretudo que o Estado Português assuma de forma clara o Direito à Cultura e o investimento na Cultura e nas Artes. 4. E que os profissionais da Cultura sejam encarados e tratados com o respeito que o seu trabalho merece, que se acabe de uma vez por todas com o discurso dos subsídio-dependentes, que se respeitem os criadores e os artistas portugueses.
Ada Pereira - PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas
Luís Urbano - Plataforma do Cinema
Pedro Borges - Plataforma do Cinema
Rui Horta - REDE – Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea
Tiago Rodrigues - Plataforma do Teatro Os signatários

O Cineclube e a Laranja

Escrever sobre Stanley Kubrick não é tarefa fácil. Um homem anti-mediático, trabalhador compulsivo, minucioso, um realizador de génio. No entanto, o apontar destas características reflecte, talvez, aquela que define todas as outras: Kubrick era um brilhante jogador de xadrez. Ora, um jogador de xadrez deve saber analisar, antever, agir, de maneira a ter a global visão do jogo a que se dedica. E isto era o que fazia Kubrick em relação aos seus filmes de forma singular.
Para cada novo projecto, longamente amadurecido no recolhimento do seu solar na Inglaterra, Stanley Kubrick procurava novos desafios técnicos que, ao invés de se sobreporem ao tema que importa abordar, como largas vezes acontece, o resultado era o de exponenciar as potencialidades desse tema. É o caso dos efeitos visuais de vanguarda em 2001: A Space Odissey, 1968. Em 1975 utilizou lentes e câmaras modificadas de forma a poder filmar apenas com luz de velas, transmitindo o real ambiente dos salões oitocentistas, no filme Barry Lyndon. Em 1980, a rodagem de Shining foi o "laboratório" de utilização da steadicam, aparelho que permite rápidos movimentos de câmara sem trepidações indesejáveis.
Cedo se tornara fotógrafo da revista Life, ao tirar uma fotografia histórica que lhe valera a profissão: A mágoa de um vendedor de jornais que anunciava a morte do presidente Roosevelt. Na Life, cobre reportagens que são ponto de partida para temas dos seus primeiros filmes, actividade que abraça de forma definitiva pouco tempo depois. Assim, surgem as curtas-metragens Day of the Fight, 1951, The Flying Padre, 1951 e The Seafarers, 1952.
Em 1953 realiza Fear and Desire, primeira longa-metragem, cuja autoria renuncia anos depois. O filme Killer's Kiss, 1955, revela a sua habilidade de manipulação da luz em imagens em movimento, catapultando-o para projectos mais ambiciosos.
The Killing, 1956, leva o realizador para Hollywood, virando para ele os holofotes da notoriedade que o acompanhariam sempre. Todos os novos filmes de Stanley Kubrick eram agora envoltos em grande expectativa.
A justiça e a fraternidade são os temas de Paths of Glory, 1957, filme de guerra em que trabalha com Kirk Douglas, facto que lhe abriria as portas da realização de Spartacus, 1960, produzido e protagonizado por aquele actor.
Lolita, 1962, e Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964, são filmes que lidam com o universo obsessivo masculino, com os impulsos do amor e da guerra, como se se tratasse de um díptico em que "Eros" e "Thanatos" se encontram com a masculinidade; em James Mason obcecado com Lolita e Sterling Hayden com o armamento e o seu uso.
Kubrick explora sempre facetas humanas complexas. No auge da sua carreira, os filmes 2001: A Space Odissey, 1968, e A Clockwork Orange, 1971, reflectem essa tendência. No primeiro, o estabelecimento de contacto com formas de vida extraterrestre é levado a limites que podem ser, afinal, o contacto com o ser interior em cada um de nós. No segundo, a violência está no limite entre o ser individual e a sociedade, manipulando a assistência que passa do ódio à estima pelo protagonista Alexander DeLarge.
Ao exuberante e maravilhoso filme de época que é Barry Lyndon, 1975, e a história da ascensão social do seu protagonista, segue-se a incursão de Kubrick no território do terror e do fantasmagórico. Uma vez mais, os perturbantes acontecimentos que têm lugar no hotel, podem bem ter lugar na mente de um Jack Nicholson que tem neste filme - Shining, 1980 - um dos seus melhores desempenhos.
Full Metal Jacket, 1987, constitúi uma abordagem à Guerra do Vietname, ponto comum entre muitos realizadores norte-americanos. Kubrick procura demonstrar de que forma o treino militar de um combatente pode influir na sua vida, na sua mente, na sua reflexão sobre o terror da guerra.
Quando Eyes Wide Shut, 1999, estreou já o seu realizador não era vivo. A intensidade com que aborda neste filme a vida conjugal e a problemática da confiança, da fidelidade, da traição, levaria ao divórcio do par protagonista, casados na realidade. Nicole Kidman e Tom Cruise dão corpo (e alma) a uma obra controversa, com problemas de classificação etária, com arrojadas cenas de orgias, aflorando também o abuso de menores, o crime sangrento, o consumo de drogas, ou o envolvimento de figuras públicas em escândalos abafados.
O jogador de xadrez fazia, em última análise, aquilo que fazem os melhores realizadores de cinema: uma boa capacidade de observação, assimilação e devolução ao público dos factos. Ao público cabe, por fim, a observação da forma como as ideias de um cineasta lhe chega, para sua maior riqueza. Quem ousará dizer que, quando o Cineclube exibiu A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica), não provocou um "boom" de riqueza cinematográfica em muitos espectadores?
Aconteceu isso em 2005, em plena Mostra de Cinema Europeu. Contámos com a presença de um amigo, o Filipe Lopes, crítico de cinema, multi-espectador deste filme e profundo admirador de Stanley Kubrick. Fica um excerto do evento.
LG


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mostra.11

É já neste mês de Julho que vamos poder contar com a edição nº 11 da Mostra de Cinema de Tavira, que terá lugar de dia 16 a dia 25. O programa que o Cineclube propõe, face aos condicionalismos existentes que se prendem com o facto de termos sempre de nos recorrer do que as distribuidoras têm em carteira, parece-nos de qualidade elevada, no âmbito do cinema produzido no Velho Continente no ano que decorreu desde a edição nº 10.
A abrir, o filme The Boat That Rocked de Richard Curtis, que fala de rock e do fenómeno das rádios piratas que, em Portugal, teria lugar 20 anos mais tarde, em 1986/87. Oportunidade para ver ou rever o brilhantismo e a exuberância de Philip Seymour Hoffman e Bill Nighy
Fica a nota que talvez abra o apetite para essa noite e para a Mostra (que surpresas haverá?) juntamente com a imagem que acompanha o evento e que, na nossa opinião, é um dos melhores cartazes de todas as 11 edições.
Dia 16, todos ao cinema. Mas atenção! A festa faz-se ao ar livre, mais concretamente na carismática casa das Mostras: o claustro do Convento do Carmo.
Um grande ambiente espera por todos.
LG

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Homenagem

O dia de hoje, 18 de Junho de 2010, passará à História como o dia do desaparecimento do maior vulto da Literatura Portuguesa da 2ª metade do século XX e início do século XXI. José Saramago, 87 anos, faleceu hoje, deixando uma vasta e muito importante obra literária, resultado da sua observação e reflexão sobre o estado do mundo e do país.
Depois do romance da juventude (Terra do Pecado), de muitas crónicas e contos, de poesia, de muitos artigos de opinião, Saramago escreveria, já na casa dos 50, Manual de Pintura e Caligrafia, logo seguido de Levantado do Chão, livro que manifesta a sua forma de escrever que poucos apreciam sem nunca terem lido. É este romance, sobre a luta diária de trabalhadores alentejanos em latifúndios, aquele que marca o início do seu estilo literário tão estimado por uns como odiado por outros.
Memorial do Convento faz de José Saramago um caso sério da literatura aquém e além fronteiras, seguido de O Ano da Morte de Ricardo Reis, Jangada de Pedra e História do Cerco de Lisboa.
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, envolto em grande polémica, é alvo de "censura" do próprio Governo, impedindo-o de concorrer a prémios e levando ao seu auto-exílio na ilha de Lanzarote; seguindo-se Ensaio Sobre a Cegueira, o melhor romance do escritor na nossa opinião, e Todos os Nomes. É a seguir a este último que Saramago ganha o Prémio Nobel de Literatura, chamando a atenção do público português sobre o mais traduzido autor entre nós nascido.
A lista de romances - estamos concentrados nos romances - termina com os títulos A Caverna, O Homem Duplicado, Ensaio Sobre a Lucidez, As Intermitências da Morte, A Viagem do Elefante e Caim.
De modestas raízes, nunca as pôs de parte, sobretudo à figura do avô, analfabeto e "o homem mais sábio que conheci". A estas raízes soube conjugar as suas ideias sobre a sociedade que observava, manifestando-as através de uma escrita apaixonante, fascinante, envolvente. Escrevia retratos intensos, formados por uma força de escrita dificilmente inigualável, fruto, de resto, das suas fortes influências no Realismo Fantástico que podemos encontrar em vários e consagrados autores latino-americanos.
Ao cinema - e porque aqui tratamos essencialmente de cinema - foram adaptados o poema Objecto Quase, A Jangada de Pedra, Ensaio Sobre a Cegueira e A Maior Flor do Mundo, este um conto passado a animação.
Ao escritor, ao homem, ao ser humano, um abraço onde quer que esteja.
LG


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Portugal dos Pequeninos

Toda a gente conhece, pelo menos de nome, o famoso parque em Coimbra onde é possível passear por entre miniaturas de edifícios marcantes da História e arquitectura em Portugal.
O nome do parque vem a propósito da chamada de atenção para o filme de João Canijo Fantasia Lusitana, que abriu o último Festival Indie Lisboa. Canijo procura dar a conhecer como era este belo país neutro durante a 2ª Guerra Mundial, gloriosamente celebrado num periodo em que se festejavam as gloriosas festas do Duplo Centenário, promovidas pelo Estado Novo salazarista.
Um país a brincar, marcado por um ditadura, mas por onde passaram inúmeras individualidades de destaque de variadíssimas áreas, não por causa das festas, mas porque em Portugal, esse parque de diversões, não havia guerra.
João Canijo recorre a um muito significativo conjunto de imagens de arquivo para mostrar, a esta distância, como eram as coisas e, ao mesmo tempo, recorre ao testemunho de pessoas que por aqui passaram, como a filha de Thomas Mann ou Antoine de Saint-Exupéry. Inesperadamente cosmopolita, Portugal era sobretudo um país fechado sobre si próprio, e em que um punhado de pessoas brincavam às Nações.
E para a brincadeira, as edificações levantavam-se e as pessoas apareciam em "espontâneas" manifestações de apreço, enquanto boa parte da brincadeira era registada em película, para que quem não participasse a pudesse testemunhar depois. Para mostrar como eramos "grandes" e "gloriosos", mestres da fantasia. Lusitana, claro.
Enquanto Fantasia Lusitana não chega ao nosso Cineclube, na 6ª feira à noite, fica o trailer para as primeiras impressões.
LG

Portugal Limpo

Todos já ouviram falar, e alguns terão participado, na iniciativa conhecida por Dia L. L de Limpar Portugal, dia do passado recente em que Portugal se levantou cedo para acudir às acumulações de lixo que assolam o nosso jardim à beira-mar plantado.
Pois esse dia não passou. Não, ele deixou marcas, projectos, iniciativas. E uma dessas iniciativas é o concurso de video que, em vários escalões, se subordinam ao tema da limpeza do país.
O concurso Como Manter Portugal Limpo convida alunos de todos os escalões a realizar trabalhos em video subordinados ao tema que, ao mesmo tempo, é um desafio: a manutenção da limpeza em Portugal. E se no escalão que vai até ao 8º ano, o 1º prémio é um dia de actividades em parques como o Biológico de Gaia e o Monte Selvagem em Montemor-o-Novo, o que já não é de desdenhar, o que dizer então dos outros escalões?
Do 9º ao 12º ano, os jovens arriscam-se a ir a uma conferência na Indonésia... Quanto aos universitários, o programa ecológico na Malásia não é, de todo, de deitar fora, nem mesmo de reciclar.
Por isso, caros alunos e alunas de Tavira e do país, mãos à obra e criatividade no olhar das lentes!
Atenção, que os prazos desafiam à destreza e desembaraço!!
Mais informações em http://www.aspea.org/.
LG

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cinema Português 6: Manuel Guimarães

Quando Manuel Guimarães se estreou na realização de longas-metragens em 1951, com o filme Saltimbancos, já tinha atrás de si um rasto de notoriedade.
Realizara dois anos antes a curta-metragem O Desterrado - Vida e Obra de Soares dos Reis, e tinha sido assistente, durante a década de 4o, de nomes como Manoel de Oliveira, António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, Arthur Duarte, João Moreira e Armando de Miranda. A sua formação em Pintura e Decoração na Escola de Belas-Artes do Porto valeu-lhe várias exposições, enquanto colaborava em jornais e revistas como publicista e ilustrador.
O olhar do artista plástico está ao serviço do seu cinema, tanto nos "quadros" de grande plasticidade que realizou em O Crime de Aldeia Velha e em O Trigo e o Joio; como no retrato portuense que constitúi A Costureirinha da Sé, filmado a cores e em que os tons de pastel reconfiguram na tela as tonalidades de uma cidade de pedra escurecida e luz tímida.
É o único cineasta português que se aproximou, de facto, do Neorealismo. Não só isto é verdade pelas características de tais produções, de baixo orçamento, e em que os exteriores surgem como cenário principal privilegiado, como é também verdade pelas temáticas abordadas. A luta diária, as vidas difíceis, o desalento e a resignação, estão presentes nestes filmes, não obstante partirem de textos de autores próximos daquela corrente estética, como Leão Penedo, Alves Redol, Fernando Namora e Vergílio Ferreira. Concluíu o filme Cântico Final em 1975, ano em que viria a falecer e que, acaba por ser não autobiográfico, mas a história de alguém que vê a morte aproximar-se e que procura tranquilizar a consciência e o espírito.
Manuel Guimarães encabeça a transição entre a velha tradição do cinema português e o Cinema Novo, com o qual podem ser conotados algumas das suas obras, O Crime de Aldeia Velha à cabeça.
LG

Filmografia (curtas-metragens):
1949 - O Desterrado - Vida e Obra de Soares dos Reis
1956 - As Corridas Internacionais do Porto
1956 - O Porto é Campeão!
1961 - Barcelos
1961 - Porto - Capital do Trabalho
1961 - Vinhos Bi-Seculares
1967 - Artes Gráficas
1967 - O Ensino das Belas-Artes
1967 - O Porto, Escola de Artistas
1967 - Tapetes de Viana do Castelo
1968 - O Ritmo na Vida
1968 - Tráfego e Estiva (primeiro filme português em 70mm)
1969 - António Duarte
1969 - Expressos "Lisboa-Madrid"
1969 - Fernando Namora
1969 - Resende
1971 - Carta a Mestre Dórdio Gomes
1972 - Areia Mar - Mar Areia

Filmografia (longas-metragens):
1951 - Saltimbancos
1952 - Nazaré
1956 - Vidas Sem Rumo
1958 - A Costureirinha da Sé
1964 - O Crime de Aldeia Velha
1965 - O Trigo e o Joio
1972 - Lotação Esgotada
1975 - Cântico Final