quinta-feira, 3 de setembro de 2009

To Be Continued...

Terminados que estão o Verão e as Mostras de Cinema de 2009, é de salientar os 2485 espectadores contabilizados este ano, o que dá o óptimo número de, feitas as contas, perto de 113 espectadores por sessão.
Perdoem-me os mais apolíticos pela observação, mas o público destes nossos eventos, com esta afluência, deu um recado ao poder local que, mantendo-se ou não da mesma cor, vai forçosamente mudar.
São números que encorajam a continuar a mostrar cinema no Verão (e não só), com o bom ambiente que conhecemos, e assim permita o novo poder em cartaz a partir de Janeiro do próximo ano. O apoio da Câmara Municipal de Tavira é essencial à continuidade do Cineclube e da sua programação.
É desejável não destruir o que vem sendo construido de há dez anos a esta parte. O Cineclube de Tavira e a Cultura em geral, que tanto cresceu no Concelho, agradecem. Afinal, é de presumir que o logotipo da Câmara Municipal continue a fazer sentido: "Tavira Vive Cultura"...
LG

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Bergman em Tavira?

A questão tem mais de uma ano, lançada por um associado do Cineclube. O realizador sueco Ingmar Bergman teria feito alguma coisa em Tavira? A hipótese era bastante remota, mas não impossível.
A autarquia baptizara recentemente uma pequena artéria da cidade com o nome do cineasta, adicionando-o assim à já estudada toponímia tavirense.
A Câmara Municipal, faz já vários meses, respondeu ao blog. O realizador tinha morrido recentemente e a Comissão de Toponímia resolveu homenagear uma das figuras mais significativas de sempre da 7ª Arte.
Só é pena que tal homenagem tenha ficado pelo nome de uma modesta travessa...
LG

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Take 17


Nasceu há quase ano e meio. É uma revista portuguesa de cinema e tem a particularidade de ser digital, disponível em http://www.blogger.com/www.take.com.pt.
Os que quiserem e tiverem mais paciência, podem sempre aceder ao PDF e transformar cada número em suporte papel. E a partir de agora também no blog do vosso cineclube.
De uma ou de outra forma, just TAKE it. Está disponível o nº 17, de Agosto, ou se preferirem o trocadilho cinematográfico, a Take 17.
Boas leituras.
LG

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Herzog lá por casa?


A Mostra de Cinema Europeu já lá vai, dez (aliás 11) filmes de qualidade que fizeram descobrir ou redescobrir algum do cinema de qualidade que nos últimos meses se viu em Portugal. Depois dos ABBA e do Woody Allen em Barcelona, e depois da surpresa de Hiroatsu Suzuki, fotógrafo japonês apaixonado por Trás-os-Montes; o ritmo fulgurante da Mostra passou por This is England e terminou com Slumdog Millionaire e Entre les Murs, indiscutivelmente dois dos grandes filmes dos últimos tempos.
Enquanto a 5ª Mostra de Cinema Não Europeu não chega, com cinema de Clint Eastwood a Charles Chaplin, o blog vem recordar uma das impressões mais bem vincadas da edição anterior, isto é, a projecção de Grizzly Man de Werner Herzog. É verdade que há nesta recordação uma pontinha de gosto pessoal, mas que não é razão para deixar de partilhar com os confrades cineclubistas a notícia.
A notícia, é o lançamento em dois volumes de uma coleção DVD deste cineasta alemão, uma carismática figura do Novo Cinema Alemão.
Aclamado pela crítica, sobretudo nos circuitos de cinema independente, popular entre os espectadores, construiu durante – sobretudo – os anos 70’ do século XX a sua reputação, a qual não goza de muito boa fama. Trata-se de um homem que faz filmes de temas suficientemente controversos, e que deixam mensagens a condizer. Um realizador que improvisa guiões à medida que cada uma das rodagens avança, envolta em névoas de mistério, muitas vezes em lugares inóspitos que levam ao risco de vida dos intervenientes.
Nascido em 1942, com fortes e marcantes memórias da 2ª Guerra Mundial, recusa aos doze anos em Munique, uma participação na sua escola em que tinha de cantar perante a turma, facto pelo qual esteve à beira da expulsão. Experiência traumática, só aos dezoito anos haveria de voltar a ouvir música. Anos antes, com a idade de catorze, uma enciclopédia foi o manual de iniciação à cinematografia e rouba da Escola de Cinema de Munique uma câmara 35 mm.
Mas tal rumo já Herzog decidira dar à sua vida. De volta à sua Munique aos doze anos, no final de um processo de sofrimento causado pela guerra e anos que se lhe seguiram, a sua família partilha um apartamento com Klaus Kinski. Diz Herzog: “Naquele momento eu soube que seria realizador e dirigiria Kinski”. A sua obra, os seus mais marcantes filmes, estão intrinsecamente ligados a esta super hiper carismática personagem.
Em Aguirre, Klaus Kinski é um aristocrata perdido com o seu séquito em plena floresta peruana, na procura do El Dorado. Os encontros com indígenas e as lutas de poder no interior do grupo fazem de Aguirre o único sobrevivente, numa jangada destruída na margem, invadida por dezenas de pequenos macacos. É neste momento, ao agarrar um destes seres, observando-o, que percebe que mais não é do que um deles, de uma pequenez sem expressão. Cobra Verde, um perigoso bandido do sertão, é enviado para negociar escravos com o rei do Daomé, acabando a comandar um exército de mulheres que destituem o monarca. Nas margens do Daomé, Cobra Verde desespera bizarramente por voltar ao seu país, observado por um deficiente motor de difícil compreensão. Baseado numa história verídica, o barco fluvial de Fitzcarraldo é transportado pelo interior da floresta, uma aventura de contornos impensáveis para atingir um rico território de borracha no interior do Peru. Estes são os três mais na minha descoberta, uma boa surpresa vinda da cinematografia de uma época alemã por vezes esquecida, apenas lembrada por Rainer Fassbinder e pouco mais…
Klaus Kinski é para Werner Herzog o mesmo que John Wayne é para John Ford, ou Toshiro Mifune para Akira Kurosawa. A sua forte, vincada e inebriante expressão e olhar foram a cara de um lado wagneriano do cinema de Herzog, que muito tem a ver com o melancólico e tenebroso Romantismo e mesmo com o Expressionismo, ou não fosse este uma “derivação” germânico-taciturna do primeiro. Filmes como Aguirre (1970), Woyzeck (1978), Nosferatu (1978), Fitzcarraldo (1982) e Cobra Verde (1987) são disso exemplo maior. Outros títulos a ter em conta: "Anões e Vilões" (1970), "A Canção de Bruno S." (1970), "Fata Morgana" (1971), "O Enigma de Kaspar Hauser" (1974).
LG

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ABBA... e a tela

Depois da última conversa com o André, é quase obrigatório dar conta da peripécia da tela de projecção - cabo partido em três sítios!!! A responsabilidade não é de ninguém? Errado, é da Câmara Municipal e de mãos que pelos vistos são habilidosas para mexer em material com alguma especificidade técnica. Ao menos sabe-se de quem é a responsabilidade, não é como disse Howard Hawks - "A Culpa Foi do Macaco" (Monkey Business), ou Billy Wilder e o "macaco-fantasma" responsabilizado pelos azares em Sunset Boulevard, "O Crepúsculo dos Deuses".
O que é fantástico é que 48 horas antes da abertura da Mostra, que acontece hoje, a perspectiva de solução era quase nenhuma, talvez se arranjasse um remédio. Acreditando no impossível e na curiosa capacidade portuguesa para fazer surgir do caos uma solução "in extremis", o André lá foi fazer os testes remediando-se como pôde. Enfim, a Mostra vai mesmo ser uma realidade - era o que faltava que não! - e a projecção de Mamma Mia! vai mesmo ter lugar.
Não sei se já repararam mas há um fenómeno que faz, hoje, os criadores recuarem no tempo até anteriores décadas. No campo musical, os anos 70 e 80 surgem sistematicamente reinventados, com versões novas que se multiplicam, como se a música moderna não soubesse que caminho tomar - o que, face ao panorama, não admirará muito, mas quem sou eu para a crítica que... quase fiz...
seja como for, os anos 70 aí estão, com o seu ícone musical de proa, ABBA, que fazem dançar a Meryl Streep, saudosista, recordando os seus tempos de jovem, na presença de três ex-amores: Stellan Sarsgard, Colin Firth e Pierce Brosnan.
Seria curioso perguntar, no fim da sessão, quantas pessoas ficam com vontade de ouvir mais canções do grupo sueco. Muitos dos mais velhos diriam que sim. Quanto aos outros, talvez fiquem a perceber que já houve décadas muito mais saudáveis...
Bom filme.
LG

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Mostras de Cinema 2009



O Verão está à porta. O mês de Julho vai novamente contar com a Mostra de Cinema Europeu de Tavira que este ano celebra um aniversário redondo, tal como o Cineclube: são 10 anos.
10 anos, já imaginaram? Desde Julho do ano 2000 que em Tavira e neste mês, o marco é cinema ao ar livre durante, pelo menos, dez noites seguidas. Se fizermos as contas, iremos passar as cem sessões ao ar livre na nossa cidade, com boa disposição e um ambiente de festa a cada dia.
Vamos recordar alguns momentos e os espaços que foram utilizados, bem como algumas pessoas que fizeram a história destas mostras. Umas desapareceram, outras continuam bem dispostas entre nós. O Cineclube está de parabéns, um caso de sucesso graças à "teimosia" do André, que continua a programar, a exibir e a apresentar (e às vezes com boa dose de sacrifício) as sessões sucessivas e de sucesso do nosso Verão.
Alguém ainda se lembra das entusiasmadas sessões no claustro do Convento da Graça (2000 e 2001), onde talvez o grande sucesso terá sido Buena Vista Social Club? E no ano seguinte? O Convento foi para obras e passámos pelo pátio do Palácio da Galeria, a recordar as duas edições do Festival Internacional de Cinema de Tavira brusca e involuntariamente interrompido. A abrir, um filme muito internacional, a tenaz sátira de guerra No Man's Land de Danis Tanovic.
Desde 2003 que estamos instalados no claustro do Convento do Carmo, onde uma equipa de aficionados se consolidou, a receber o nosso fiel público.
And still we are.
Por aqui passaram duas sessões memoráveis que, entre outras, me apetece destacar: Any Way the Wind Blows de Tom Barman e A Clockwork Orange de Stanley Kubrick.
A primeira acabou quase de manhã com uma jam session do realizador - e lider da banda Deus. A segunda, além da presença, entrevista ao produtor Filipe Melo e exibição daquele que é considerado o primeiro filme de terror português digno desse nome (vá lá, é mais ibérico do que outra coisa) I'll See You in My Dreams; contou com a exuberante e bem disposta presença do crítico e entusiasta "kubrickiano" Filipe Lopes que nos despertou o apetite para ver ou rever uma obra-prima, resgatada do "fundo do baú" da Columbia portuguesa.
Este ano vamos ter o prato forte no dia 23, com a presença da actriz Jo Hartley, que apresentará o filme This is England, em que participou.
E, last but not least, outra novidade importante: um projector todinho do Cineclube, feliz e ironicamente igual ao que nos acompanhou durante as outras nove mostras, pertença da Universidade do Algarve e "amavelmente cedido".
Aguardemos as últimas novidades. Enquanto elas não chegam, os cartazes deste ano fazem a sua aparição, sérios candidatos a "melhores-de-sempre".
Beijos e abraços
LG

Topfest 2008

Uma associada do nosso estimado Cineclube chamou a atenção - e já não foi ontem - para o vencedor do Topfest do ano passado. O Topfest é um festival de filmes - aliás videos - gravados apenas com telemóvel.
Vale a pena ver Mankind is no Island de Jason van Genderen, filmado nas ruas de Nova Iorque e Sidney.

http://www.youtube.com/watch?v=ZrDxe9gK8Gk
LG